GLOBALIZAÇÃO:  FRENTE  E  AVESSO

ALCYR VERAS (economista e professor universitário)

Logo no início deste século 21 (vinte e um), a India e a China que até então não eram consideradas, verdadeiramente, economias de mercado, ingressaram na cadeia global de fornecimento de produtos e serviços para todo o mundo.

Segundo Thomas L. Friedman, um dos mais influentes jornalistas norte-americanos (do The New York), em seu emblemático livro, “O Mundo é Plano”, isso ocorreu porque esses dois países mais populosos do planeta fizeram o que ele chamou de “explosão de renda”, beneficiando a numerosa classe média que, com maiores salários, passou a consumir muito mais, exigindo, por consequência,  grande aumento do volume de produção, tanto para atender o mercado interno quanto para as exportações. Ele sugere que o mundo é plano no sentido de que a globalização nivelou a competição entre os países industrializados e os emergentes. Na sua opinião, esse nivelamento levou ao “achatamento” do planeta que se deu pela convergência de interesses econômicos recíprocos.

O Brasil tirou proveito dessa situação, a partir de 2007, quando passou a exportar para a China milhões de toneladas anuais de commodities (minério de ferro, petróleo bruto, soja, milho, suco de laranja, e outros produtos in natura)

A China continua sendo a estrela do crescimento econômico,  com uma taxa média de 9% na última década. Hoje é a segunda economia mundial, só perde para os Estados Unidos. Em relação ao passado,  aumentou em larga escala seus investimentos em ciência e tecnologia. Surge, porém, a pergunta inevitável. A China tem problemas internos? Tem, é claro, como todo e qualquer país. O crescimento chinês apresenta alguns desequilíbrios. O nível de poupança interna é alto. Tanto o cidadão comum, como os grandes empresários investem bastante, mas a produtividade do capital ainda é baixa. Seu gigantesco contingente populacional apresenta efeito ambíguo para a economia. Se de um lado o mercado interno é forte devido a elevada massa de consumo, de outro a excessiva oferta de mão-de-obra, abundante e barata, não agrega valor consistente ao Produto Interno Bruto (PIB). Acrescente-se que cerca de 20% da população vive em estado latente de pobreza.

Em suas análises críticas, Edmund Conway editor de economia do jornal britânico Daily Telefraph, afirma que a globalização aumentou a riqueza mundial na medida em que removeu os entraves das fronteiras entre países, fazendo aumentar, em menos tempo, a velocidade do fluxo circulatório da economia, reduzindo custos e , com isso, diminuindo a taxa de inflação do mundo.

Porém, pelo lado do avesso, alega que a globalização elevou a riqueza total do planeta, mas aumentou a desigualdade social e a concentração de renda, e que, nos países mais carentes, grande número de pessoas continuam extremamente pobres. Quanto aos direitos humanos, argumenta que os maiores fabricantes de roupas e calçados, sobretudo nos chamados países periféricos, adotam modelos de produção semelhantes ao trabalho escravo. Outro ponto crítico, diz respeito à crescente influência das grandes empresas Multinacionais em que prevalece o domínio das marcas de produtos ocidentais, em prejuízo da identidade dos valores das culturas nativas. Rejeitado pelas exigências da globalização, um grande número crescente de pequenas lojas e produtores independentes aumentam a informalidade da economia no mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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