Americanos unem clima, inovação e economia e vencem o Nobel de Economia

50º prêmio Nobel de Economia foi atribuído nesta segunda-feira aos americanos William Nordhaus e Paul Romer, por integrarem a mudança climática e a inovação tecnológica ao crescimento econômico, aliando assim clima, inovação e economia.

Os dois premiados “desenvolveram métodos que abordam alguns dos desafios mais fundamentais e prementes de nosso tempo: combinar o crescimento sustentável a longo prazo da economia global com o bem-estar da população do planeta”, afirmou a Academia Real de Ciências.

Seus trabalhos são baseados nos do keynesiano Robert Solow, Nobel de Economia de 1987, que estudou o impacto do progresso técnico no crescimento.

O anúncio do Nobel coincide com um relatório de especialistas da ONU sobre as mudanças climáticas (IPCC), que defendem transformações “rápidas e sem precedentes” em setores como energia, indústria ou infraestruturas para limitar o aquecimento global.

Os economistas compartilharão o prêmio de 9 milhões de coroas (987.000 dólares). Também receberão uma medalha de ouro e um diploma.

Paul Romer, 62 anos, ex-economista chefe do Banco Mundial e professor na Stern School of Business da Universidade de Nova York, estabeleceu as bases do “crescimento endógeno” desde 1986.

Com seus estudos, ele demonstra como a inovação e o progresso técnico influenciam de forma importante o crescimento econômico.

“Muitos acreditam que a proteção do meio ambiente é tão cara e difícil de realizar que preferem ignorar o problema, ou inclusive negar sua existência”, declarou Romer à Academia.

“Podemos realmente fazer progressos substanciais para proteger o meio ambiente sem por isto renunciar a garantir um crescimento duradouro”, completou.

Romer pediu demissão no início do ano do posto de economista chefe do Banco Mundial por uma divergência com o presidente da instituição.

Clima e economia

Seu compatriota William Nordhaus, 77 anos, professor na Universidade de Yale, se especializou na pesquisa das consequências econômicas do aquecimento global.

Nordhaus foi o primeiro, nos anos 1990, a estabelecer o modelo sobre o vínculo entre atividade econômica e clima, introduzindo teses e experiências procedentes da Física, Química e Economia, segundo o júri.

Ele “integrou a mudança climática na análise macroeconômica a longo prazo”, destacou a Academia.

Estas pesquisas servem atualmente para prever ou quantificar as consequências das políticas climáticas, por exemplo a taxa de carbono.

Nordhaus defende em particular uma taxa de carbono uniforme, cobrada a todos os países para reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera.

Os países que não desejarem unir-se a este “clube do clima” seriam punidos por barreiras alfandegárias, por exemplo.

Assim, 10a anos após a falência do banco Lehman Brothers, “pessoas como Nordhaus e Romer mostram que há outros fatores de crescimento além do capital financeiro, como a inovação e o fato de levar em consideração a mudança climática”, afirmou à AFP Ludovic Subran, diretor de pesquisa macroeconômica da Allianz.

Os dois economistas premiados já apareciam há muitos anos na lista de possíveis vencedores do Nobel.

No ano passado, o prêmio foi atribuído ao americano Richard Thaler por seus estudos sobre a influência de certas características humanas, como a racionalidade limitada, as preferências sociais e a falta de autocontrole, nos comportamentos dos consumidores ou investidores.

O Nobel da Economia celebra este ano o 50º aniversário. Criado em 1968 por ocasião do aniversário de 300 anos do Banco da Suécia é o prêmio mais importante para um pesquisador na área de Ciências Econômicas.

Este prêmio fecha a temporada de 2018 no Nobel, que não teve a categoria Literatura, adiada para o próximo ano pela Academia Sueca, afetada por um escândalo de agressões sexuais e fortes divisões internas.

Revista EXAME

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