Reflexões sobre a fusão Brahma e Antarctica

Ousadia é um dos principais ingredientes dos grandes negócios. E foi com ousadia que teve início um dos capítulos mais bem-sucedido da história empresarial brasileira: a fusão das cervejarias Brahma e Antarctica.

Era final da década de 1990 e quase toda indústria brasileira de alimentos e bebidas estava sendo comprada por investidores internacionais. A Brahma, de propriedade do Grupo Garantia, tinha perdido margem operacional (de 16,6% para 1,3%) e não conseguia alavancar seu negócio no exterior. A fusão com sua arquirrival era questão de sobrevivência. Mas, ninguém se engane, esse negócio fez parte de uma estratégia que permitiu saltos maiores, até que chegamos ao grupo 3G Capital.

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O CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO NO VALE DO AÇU (1970-2018)

O Rio Grande do Norte (RN) é dividido em 19 microrregiões geográficas. Dentre elas, uma das mais importantes do ponto de vista econômico é a do Vale do Açu. Formada por nove municípios (Alto do Rodrigues, Assú, Carnaubais, Ipanguaçu, Itajá, Jucurutu, Pendências, Porto do Mangue e São Rafael), a referida microrregião vem experimentando um expressivo crescimento populacional ao longo do tempo.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1970, os municípios do Vale do Açu contavam com uma população de 83.653 habitantes. Nas três décadas seguintes, contudo, eles vivenciaram um grande aumento populacional. Em 1980 o espaço regional já abrigava 94.054 pessoas, número que saltou para 111.902, em 1991, 124.753, em 2000, e para 140.534 no ano de 2010.

Em termos percentuais, o contingente populacional da microrregião em tela cresceu 68% de 1970 a 2010. Isso representou um aumento de 56.881 pessoas em apenas quatro décadas.

Tal crescimento demográfico foi puxado, principalmente, pela expansão econômica ocorrida na sua área territorial a partir dos anos 1980. Data desse período, por exemplo, a construção da barragem Armando Ribeiro Gonçalves, a expansão da PETROBRAS e da fruticultura irrigada, que ganha destaque na década de 1990. Além disso, as cidades açuenses passaram por um crescimento urbano e do setor de comércio e serviços. Atraídos por essas atividades centenas de pessoas vieram trabalhar e viver na região.

A partir da segunda década do século XXI, porém, a economia do Vale do Açu atravessa um período de dificuldades e era de se esperar uma reversão do seu crescimento populacional. Mas isso não aconteceu na prática. De fato, as últimas estimativas do IBGE mostram que em 2018 os municípios açuenses contavam com 153.711 habitantes, contingente 9% maior do que os 140.534 moradores identificados pelo Censo Demográfico de 2010.

Note-se que essa taxa de crescimento não se distribui de forma igual. Entre os nove municípios que compõem a microrregião, os que apresentaram maior expansão populacional de 2010 a 2018 foram: Porto do Mangue (+30%), Alto do Rodrigues (+16%), Pendências (+12%), Ipanguaçu (+11%) e Carnaubais (+9%). Já as menores taxas foram registradas em Assú (+8%), Itajá (+8%), Jucurutu (+3%) e São Rafael (+1%).

Os dados analisados sugerem, de forma resumida, que em quase 50 anos de história (1970-2018) a população do Vale do Açu praticamente dobrou de tamanho. Ao que tudo indica esse movimento tende a permanecer sem interrupção, embora com ritmos bem diferentes em cada localidade.

Logo, mais gente vivendo nos municípios açuenses significa uma maior demanda por saúde, educação, moradia, emprego etc. Igualmente, mais habitantes dividindo o mesmo espaço implica também uma maior pressão sobre os recursos naturais ainda disponíveis, sinalizando grandes desafios no futuro para os governantes e para a sociedade em geral.

Joacir Rufino de Aquino & Raimundo Inácio da Silva Filho

(Economistas, professores e pesquisadores da UERN)

Fonte: O Mossoroense