ECONOMIA SOCIAL NA UFRN: RELATO DE EXPERIÊNCIAS

Aluísio Alberto Dantas[1]

Antônio-Alberto Cortez[2]

RESUMO

A história do Departamento e do Curso de Economia da UFRN registram ações de transição, motivação e sucesso, no período compreendido entre os anos de 1978 a 1999, quando ocorreram mudanças acadêmicas estruturantes na formação do economista e na execução de vários projetos de extensão voltados para o desenvolvimento de novas relações socioeconômicas do Rio Grande do Norte. A experiência do processo de transição iniciou-se com a realização contínua de cursos de reciclagem do corpo docente, mudança do currículo do Curso de Economia e a participação de seus docentes e alunos em projetos socioeconômicos de referências transformadoras nas relações sociais de produção e de distribuição de bens e serviços do Rio Grande do Norte. O relato descreve contribuições que projetos de economia social exerceram na prática profissional de alunos do Curso de Economia e no processo de inclusão social, promoção da dignidade humana e de justiça social.

Palavras-Chave:  Economia social; Formação do economista; Justiça social.

ABSTRACT

The history of the Department and the Economics Course at UFRN register actions of transition, motivation and success, from 1978 to 1999, when there were structuring academic changes in the economist’s formation and in the execution of several extension projects aimed at the development of new socioeconomic relations in Rio Grande do Norte. The experience of the transition process began with the continuous realization of faculty retraining courses, change of the Economics Course curriculum and the participation of its teachers and students in socio-economic projects of transformative references in the social relations of production and distribution. of goods and services of Rio Grande do Norte. The report describes contributions that social economy projects made in the professional practice of Economics students and in the process of social inclusion, promotion of human dignity and social justice.

Keywords: Social Economy; Economist training; Social justice.

 

  1. INTRODUÇÃO

A economia social é historicamente descrita como eficaz ação de organização comunitária que tem por objetivo contribuir para o atendimento das necessidades humanas e para o processo de justiça social, resgate da dignidade humana e do bem comum. As evidências comprovam que a eficácia da economia social está fortemente vinculada às relações sociais de produção e de distribuição de bens e serviços de pessoas e comunidades que se encontram em situação de risco social, de exclusão e de crise comunitária. Os projetos de economia social são normalmente dirigidos para contribuir com a ocupação produtiva geradora de renda de trabalhadores desempregados, grupos de pessoas carentes de suas necessidades básicas de consumo e para comunidades em processo de exclusão social.

Em períodos de crise socioeconômica, a economia social é ressaltada como importante projeto de valorização das relações sociais de produção e de distribuição de bens e serviços, contribuindo no fortalecimento do atendimento das necessidades de consumo, da dignidade humana e da justiça social.

O Departamento de Economia da UFRN foi protagonista de ações acadêmicas de economia social no Rio Grande do Norte, no período compreendido entre os anos de 1978 a 1999, com a execução de projetos de extensão voltados para o atendimento de necessidades básicas de grupos e pessoas carentes; bem como para o fortalecimento e diversificação da prática profissional do economista, beneficiando alunos do Curso de Economia da UFRN.

As experiências de economia social, a seguir relatadas, ocorreram na UFRN no período e no contexto do processo de transição política do país e do fervoroso movimento de renovação do economista, no início dos anos 80, quando a sociedade brasileira passou por mudanças estruturais que motivaram a formação de um novo economista e de um novo perfil profissional em economia. Essa mudança estrutural exigiu avanços do processo de formação do economista, com a adoção de um novo currículo que contemplasse conteúdos teóricos necessários à formação de atores sociais compatíveis com as demandas da sociedade. O debate sobre uma nova sociedade brasileira contemplou o processo de reflexão sobre uma nova formação do economista brasileiro e que resultou na criação da ANGE – Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Economia. A partir da Resolução 11/84, publicada pelo Conselho Federal de Educação, a formação do economista brasileiro voltou-se para uma sólida e plural formação teórica, metodológica e analítica da realidade econômica local, regional, nacional e internacional.

A motivação para a mudança e avanço acadêmico das ciências econômicas na UFRN foi o argumento básico do projeto de transição do Departamento de Economia e que resultou em ações integradas de ensino, pesquisa e extensão voltadas para a prática profissional. Esse foi o ambiente que germinou a Empresa Júnior de Economia da UFRN, como a instância de prática profissional do estudante de economia e que se consolidava com a execução de ações referendadas pelo conteúdo de ensino das disciplinas cursadas em sala de aula.

As experiências de economia social desenvolvidas na UFRN, descritas no presente texto, foram importantes ações de compromisso social da Universidade com a realidade socioeconômica do Rio Grande do Norte. Ressalta-se a motivação e participação de professores, estudantes, funcionários e dirigentes, todos entusiasmados com a formação de profissionais comprometidos com o processo de transformação das relações sociais de produção, de distribuição de bens e serviços, de inclusão social, promoção da dignidade humana e de justiça social.

  1. O MOVIMENTO DE RENOVAÇÃO DO ECONOMISTA

O movimento de renovação do economista ocorreu entre os anos 70 e 80 e no contexto do processo de redemocratização e de resgate da liberdade sócio-política do país. Foi um movimento conduzido por professores da linha estruturalista dos cursos de economia da UFRJ, PUC, Unicamp e USP, tais como Maria da Conceição Tavares, Carlos Lessa, Pedro Malan e outros, e que refletiam sobre a reforma estrutural da economia brasileira. A partir desse momento, mudanças significativas ocorreram em toda a estrutura curricular dos cursos de economia do país e cujos impactos refletiram nas ações desenvolvidas pelo Conselho Federal de Economia (COFECON) e pelos Conselhos Regionais de Economia (CORECONs).

Esse movimento da categoria promoveu amplo e intenso debate sobre a economia como ciência e como ação profissional, destacando a formação profissional como o ponto central do debate. Esse movimento encarou, com profundidade, a crise por que passava o economista, enquanto agente promotor do desenvolvimento socioeconômico, mas que devia ter uma sólida e plural formação profissional. O ponto central do movimento foi o resgate do economista, enquanto ator importante para o processo de transformação da sociedade brasileira, no sentido de intervir nas relações sociais de produção e de distribuição de bens e serviços. Era o resgate de atores capacitados para entender o funcionamento do sistema socioeconômico e de intervir em categorias que definem o equilíbrio dos mercados, das empregas, governos, bancos e demais organizações sociais.

  1. CRIAÇÃO DA ANGE

A ANGE surgiu como resultado de amplo processo do debate nacional acerca da reforma do currículo de economia, aprovada pela Resolução 11/84 do então Conselho Federal de Educação. Começou a ser organizada por ocasião do I Congresso Brasileiro dos Cursos de Graduação em Economia, realizado em 1985. A criação da ANGE estava apoiada no princípio de conduzir os cursos de economia comprometidos com o estudo da realidade brasileira, sem prejuízo de uma sólida e plural formação teórica, histórica e instrumental.

Os cursos de economia têm uma nova história após a ANGE, pois suas atividades passaram a ser norteadas e compromissadas com um projeto voltado para elevar a qualidade do ensino de economia em todo o país. A preocupação central da Associação com a qualidade aponta para um ensino de Ciências Econômicas referenciado no pluralismo que contemple, com rigor e consistência, a diversidade de leituras e interpretações teóricas, metodológicas e analíticas do saber econômico. Os eventos das entidades apresentavam a homogeneidade de pensamento, referendando a formação do economista comprometido com a ética no desenvolvimento de habilidade e competências profissionais.

  1. EXPERIÊNCIAS DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA UFRN

O Departamento de Economia da UFRN participou ativamente do movimento de renovação do economista, dos processos de criação da ANGE e da mudança curricular do curso de economia no país. Várias ações foram desenvolvidas no Depec, durante os anos 80, no sentido de mudar o currículo do curso de graduação e de consolidar um novo projeto de formação do economista no Rio Grande do Norte. Essas ações ocorreram com a execução dos seguintes projetos estruturantes:

  1. Reciclagem do corpo docente. Os eixos teóricos e metodológicos do novo currículo foram devidamente estudados pelos professores do Departamento de Economia da UFRN, em cursos de especialização realizados em parceria com o Instituto de Economia da UNICAMP e executados na UFRN. Os cursos realizados periodicamente no DEPEC foram responsáveis pela formação de professores que ministraram as disciplinas do novo currículo do curso de economia da UFRN e de outras universidades do nordeste.
  2. Implantação do novo currículo, seguindo rigorosamente a Resolução 11/84, do Conselho Federal de Educação.
  3. Acompanhamento e avaliação do novo currículo, com base em instrumentos participativos de professores e alunos do curso de economia.
  4. Implementação de programas de pesquisas sobre a economia do Rio Grande do Norte e de subsídio às monografias de conclusão de curso.
  5. Execução de projetos de extensão voltados para a prática profissional e com destaque para as atividades econômicas de referências transformadoras nas relações socioeconômicas do Rio Grande do Norte. Os projetos de extensão eram desenvolvidos através de parcerias com entidades públicas e privadas; e com entidades não governamentais, destacando-se cooperativas, sindicatos, associações de classe e demais organismos que possibilitavam a participação dos alunos no planejamento, execução e avaliação dos projetos.
  6. Introdução de estudos e pesquisas de economia social, com a implantação e execução de projetos socioeconômicos voltados para a inclusão social, promoção humana e justiça social.

A UFRN sediou o V Congresso da ANGE, no período de 5 a 9 de outubro de 1990, reunindo em Natal importantes professores e mentores da mudança curricular dos diversos cursos de Economia do país. Foi um evento marcante para a história do novo currículo e consolidação da Resolução 11/84 do Conselho Federal de Educação. Os méritos com a concretização do evento estão registrados nos Anais do V Congresso da ANGE, cujo relatório faz referência especial para os dirigentes acadêmicos da UFRN e, em especial para dirigentes e professores do Departamento de Economia e do Centro de Ciências Sociais Aplicadas, que não mediram esforços para realizar o Congresso com elevado nível acadêmico, estrutural e logístico. Consta dos Anais a seguinte referência: “Destacaríamos em especial o Centro de Ciências Sociais Aplicadas e o Departamento de Economia da UFRN, que não mediram esforços para a concretização do Congresso.”[3] Foi um ousado evento acadêmico, com a presença de renomados professores de economia do país e cuja aula magna foi proferida pela eminente professora Maria da Conceição Tavares.

  1. AS EXPERIÊNCIAS DE ECONOMIA APLICADA DA UFRN

As experiências de economia aplicada da UFRN estão relacionadas aos programas e projetos de economia social desenvolvidos no Departamento de Economia da UFRN, no período de 1978 a 1999, cujas ações visavam a intervenção acadêmica nas relações sociais de produção e de distribuição de bens e serviço de comunidades presentes nos diversos municípios do Estado do Rio Grande do Norte.

Partindo do pressuposto teórico que a economia social é historicamente destacada como eficaz ação de organização comunitária e de contribuição do processo de justiça social, resgate da dignidade humana e do bem comum, os projetos de extensão de economia aplicada e dirigidos para a economia social, desenvolvidos no Departamento de Economia da UFRN, eram planejados e desenvolvidos a partir de demandas comunitárias e sociais, cujos elementos de demanda eram analisados coletivamente e contando com a participação de atores e dirigentes comunitários locais. O planejamento comunitário constituiu o marco de referência da metodologia de elaboração dos projetos de economia social do Departamento de Economia da UFRN e constantes do presente relato de experiências.

Em períodos de crise socioeconômica, a economia social é ressaltada como importante projeto de valorização das relações sociais de produção e de distribuição de bens e serviços, contribuindo no fortalecimento do atendimento das necessidades de consumo, da dignidade humana e da justiça social. Para tanto, tornam-se importantes as diversas dimensões de avaliação dos projetos de economia social:

  1. Avaliação da Eficiência: atendimento das metas previstas;
  2. Avaliação da Eficácia: obtenção dos objetivos específicos;
  3. Avaliação da Efetividade Social: alcance do objetivo geral.

Os projetos de economia social normalmente tinham a eficácia relacionada à ocupação produtiva geradora de renda para trabalhadores desempregados e pessoas carentes de suas necessidades básicas de consumo. A avaliação da efetividade social, por sua vez, era estudada a partir do objetivo geral de cada projeto, o qual normalmente estava voltado para a dignidade humana e justiça social. Esses elementos contribuíram para o avanço da complexa avaliação subjetiva.

Todos os projetos de extensão do Departamento de Economia foram executados com a participação voluntária de alunos do Curso de Economia da UFRN. O resgate histórico dessas atividades de extensão, durante os anos 80 e 90, descreve o protagonismo da “Empresa Júnior de Economia da UFRN” na execução de projetos de economia aplicada e economia social, que contribuíram para a prática profissional, complementando o conteúdo teórico ministrado em sala de aula e fortalecendo a vivência dos alunos do Curso de Economia na execução de projetos e com o mercado profissional do economista.

Tratando-se de uma ação acadêmica de prática profissional, a participação do aluno era voluntária e sempre estava relacionada ao currículo do curso, havendo  disciplinas de referências para a execução do projeto e cuja execução era acompanhada por professor orientador.

Projetos de Extensão e de Economia da UFRN1980 a 1999[4]

Projetos Disciplinas Professores
01 Implantação da Cooperativa Mista dos Têxteis do Rio Grande do Norte (COMTERN): projeto de transformação de uma fábrica falida (Sitex) em uma cooperativa de trabalhadores na fabricação de etiquetas têxteis. Microeconomia

Projeto

Desenvolvimento socioeconômico

Estatística Aplicada

José Cortez Pereira de Araújo

Antônio-Alberto

Cortez

Aluísio Alberto Dantas

 

02 Assessoria econômica ao Sindicato Trabalhadores da Indústria Têxtil do Rio Grande do Norte: estudo da crise da indústria têxtil e de projetos coletivos; diagnósticos setoriais da indústria têxtil. Microeconomia

Desenvolvimento socioeconômico

Estatística Aplicada

José Cortez Pereira de Araújo

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

03 Apropriação de custos das empresas de transporte coletivo de Natal: estudo de custos da Empresa Guanabara Microeconomia

Contabilidade de Custos

Aluísio Alberto Dantas

Francisco Wellington Duarte

04 Estudo de viabilidade econômica e financeira do Praia Shopping Ponta Negra Projetos

Estatística

Geraldo Guedes de Moura
05 Assessoria econômica da COMTERN (Cooperativa Mista dos Têxteis do Rio Grande do Norte): acompanhamento administrativo e econômico da COMTERN. Microeconomia

Desenvolvimento socioeconômico

Estatística

José Cortez Pereira

Antonio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

06 Estudo de mercado do artesanato potiguar: identificação da demanda, oferta e preço do artesanato potiguar; mapeamento de matérias-primas; elaboração de planos de negócios. Microeconomia

Desenvolvimento socioeconômico

Estatística Aplicada

Antonio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

Délber de Andrade Barbosa

07 Estudo de viabilidade socioeconômica do Vale do Assu: planejamento, coordenação, execução e avaliação de seminários sócio comunitários nas cidades de Assu e São Rafael. Microeconomia

Desenvolvimento socioeconômico

Estatística Aplicada

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

Délber de Andrade Barbosa

08 Estudo de viabilidade socioeconômica da cooperativa de artesanato potiguar: estudo de mercado; elaboração do plano de negócios; identificação e análise de núcleos comunitários de produção. Microeconomia

Desenvolvimento socioeconômico

Estatística Aplicada

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

Délber de Andrade Barbosa

09 Estudo de viabilidade socioeconômica da cooperativa dos pecuaristas de Nova Cruz: elaboração do fórum municipal dos pecuaristas; estudo de mercado; elaboração de planos de negócios. Microeconomia

Desenvolvimento socioeconômico

Estatística Aplicada

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

Délber de Andrade Barbosa

10 Implantação da microunidade de produção têxtil de Nova Cruz: elaboração do fórum municipal de costureiras; estudo de mercado; elaboração de planos de negócios. Microeconomia

Desenvolvimento socioeconômico

Projetos

Estatística

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

Délber de Andrade Barbosa

11 Estudo de viabilidade socioeconômica apicultores do Mato Grande: planejamento e elaboração do fórum regional de apicultores em João Câmara; estudo de mercado; elaboração de planos de negócios. Microeconomia

Desenvolvimento socioeconômico

Estatística Aplicada

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

Délber de Andrade Barbosa

12 Diagnóstico socioeconômico da economia pesqueira do Rio Grande do Norte: planejamento e execução do fórum das colônias de pesca; estudo de mercado; elaboração de planos de negócios. Microeconomia

Desenvolvimento socioeconômico

Estatística Aplicada

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

Délber de Andrade Barbosa

13 Acompanhamento e Avaliação do Programa de Educação Profissional do Rio Grande do Norte: Convênio da Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura e Ministério do Trabalho e Emprego para acompanhamento e avaliação de projetos do Plano Nacional de Educação Profissional (PLANFOR). Macroeconomia

Desenvolvimento socioeconômico

Economia do Trabalho

Estatística Aplicada

Aluísio Alberto Dantas

Antônio-Alberto Cortez

Délber de Andrade Barbosa

Denilson da Silva Araújo

Flávio José Cunha de Aguiar

João Rodrigues Neto Marconi Gomes da Silva

14 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Mato Grande Desenvolvimento socioeconômico João Matos Filho
15 Custo da Educação no Rio Grande do Norte: coleta de informações, análise estatística, produção de indicadores, elaboração de relatórios de custo. Contabilidade de Custos

Economia da Educação

Aluísio Alberto Dantas

Antônio-Alberto Cortez

Joani Brito de Sá

Maria Lúcia Sarinho

16 Projeto de implantação da Cooperativa Têxtil de Mossoró: elaboração do fórum municipal de costureiras; estudo de mercado; elaboração de planos de negócios. Microeconomia

Desenvolvimento socioeconômico

Projetos

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

Délber de Andrade Barbosa

17 Projeto de implantação de microunidades de produção em Natal: elaboração do fórum comunitário; identificação de potencialidades produtivas; estudos de mercado; elaboração de planos de negócios. Microeconomia

Desenvolvimento socioeconômico

Projetos

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

Délber de Andrade Barbosa

18 Projeto de microunidades de produção da Zona Norte de Natal (Gramoré): elaboração do fórum comunitário; identificação de potencialidades produtivas; estudos de mercado; elaboração de planos de negócios. Microeconomia

Desenvolvimento Socioeconômico

Projetos

Estatística

Aplicada

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

Délber de Andrade Barbosa

19 Projeto de estudo de demanda e do mercado de trabalho em Natal (SINE-RN) Macroeconomia Aluísio Alberto Dantas
20 Projeto de reciclagem de materiais e de produção de bens de uso doméstico Microeconomia

Projetos

Maria da Luz Gois Campos
21 Projeto de recuperação de fábricas falidas de Parnamirim e implantação da cooperativa de indústrias de papel: elaboração do fórum comunitário; identificação de potencialidades produtivas; estudos de mercado. Microeconomia

Projetos

Desenvolvimento Socioeconômico

Estatística Aplicada

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

Délber de Andrade Barbosa

22 Projeto de recuperação da INPASA – Indústria de Papéis S.A., localizada na BR 101 (Parnamirim): elaboração do estudo de mercado; elaboração de planos de negócios. Microeconomia

Projetos

Desenvolvimento Socioeconômico

Estatística

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

Délber de Andrade Barbosa

23 Projeto de socialização e recuperação das cooperativas de Serra do Mel: elaboração do fórum comunitário; identificação de potencialidades produtivas; estudos de mercado. Microeconomia

Projetos

Desenvolvimento Socioeconômico

Estatística

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

Délber de Andrade Barbosa

24 Projeto de criação de microunidades de produção de confecções das costureiras sindicalizadas: elaboração do fórum comunitário; estudos de mercado; elaboração do plano de negócios. Microeconomia

Projetos

Desenvolvimento Socioeconômico

Estatística

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

Délber de Andrade Barbosa

25 Projeto de beneficiamento de hortifruticulturas comercializadas na Ceasa-RN: pesquisa socioeconômica; elaboração do diagnóstico; elaboração do plano de negócios. Microeconomia

Projetos

Desenvolvimento Socioeconômico

Estatística

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

Délber de Andrade Barbosa

26 Diagnóstico socioeconômico das feiras livres de Natal: pesquisa e análise. Desenvolvimento Socioeconômico Francisco Nabuco de Almeida Barreto Neto
27 Diagnóstico socioeconômico do Município de Serrinha: pesquisa e análise. Planejamento Econômico Maria da Luz Gois Campos
28 Diagnóstico socioeconômico e estudo de mercado do turismo em Pipa Desenvolvimento Socioeconômico

Estatística

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

29 Estudo de viabilidade produtiva de sargaço marinho Desenvolvimento Socioeconômico

Estatística

Antônio-Alberto Cortez

Aluísio Alberto Dantas

30 Estudo de mercado das empresas juniores da UFRN: cursos de administração, ciências contábeis, serviço social, pedagogia, letras, engenharia civil, engenharia elétrica, engenharia da produção.  

Desenvolvimento Socioeconômico

Estatística

Aplicada

 

 

Aluísio Alberto Dantas

31 Consórcio “Natal 2015”. Diagnóstico estrutural e conjuntural socioeconômico do município de Natal; planejamento de mudança estrutural da cidade de Natal para 20 anos (2005 a 2015). O Departamento de Economia foi convidado pelo Secretário de Planejamento de Natal, Econ. Rogério Marinho, falando em nome da Governadora Wilma de Faria, para atuar participar de todos os comitês temáticos. Foi gerado um relatório interessante do Comitê de Abastecimento Alimentar, coordenado pelo prof. Antônio-Alberto Cortez.  

 

Macroeconomia

 

Desenvolvimento Socioeconômico

 

Estatística

Aplicada

 

Aluísio Alberto Dantas

Antônio-Alberto Cortez

Denilson da Silva Araújo

Flávio José Cunha de Aguiar

Francisco Nabuco de Almeida Barreto Neto Marconi Gomes da Silva

 

  1. ECONOMIA APLICADA, EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E MONOGRAFIAS DO CURSO DE ECONOMIA DA UFRN

Os trabalhos de conclusão de curso (TCCs) sob a forma de monografias de conclusão dos alunos do Curso de Economia da UFRN foram fortalecidas com a participação dos alunos na execução dos projetos de extensão de do Departamento de Economia, considerando que muitos alunos transformavam em seus temas e conteúdos de estudo final a experiência da prática profissional e os dados obtidos na execução dos projetos de extensão.

O Manual de Procedimentos da Empresa Júnior de Economia, instrumento de orientação administrativa, descrevia que cada ação era devidamente planejada sob a forma de projeto e com base no qual havia o monitoramento e acompanhamento das ações contratadas e executadas, nas dimensões físicas e financeiras. A execução do projeto era devidamente registrada em formulário específico, cujas informações permitiam a prática dos conhecimentos de estatística aplicada, a partir da tabulação de dados, análise de regressões, cálculos estatísticos e elaboração de estatísticas descritivas, tabelas e gráficos que permitiram a elaboração do relatório de execução de cada projeto.

As ações dos projetos de economia aplicada eram desenvolvidas pelos estudantes do curso de Economia da UFRN, os quais participavam de todas as fases, sob a orientação de professores, desde o planejamento, elaboração e execução do projeto; equipes de estudantes executavam as ações econômicas constantes do projeto; e outras equipes ficavam responsáveis pelo monitoramento e avaliação das referidas ações projetadas e contratadas.

Os recursos destinados ao financiamento do projeto eram normalmente oriundos de fontes externas, cuja captação fazia parte desse relevante aprendizado profissional e objeto de instrumento formal devidamente contratado pela Empresa Júnior de Economia e com a participação do Chefe de Departamento de Economia. O orçamento de cada projeto era acompanhado, fiscalizado e aprovado pelo Conselho Fiscal da Empresa Júnior de Economia. A prestação de contas fazia parte da rotina operacional da entidade, cujos documentos eram publicados e devidamente socializados para todos os estudantes do Curso. A prática da transparência ética da execução financeira constituía um aprendizado de relevante importância para os alunos e futuros profissionais.

Outra observação importante que merece registro para os atuais componentes da Empresa Júnior de Economia da UFRN – os atuais Economistas Jrs – refere-se aos efeitos econômicos e financeiros dos orçamentos e recursos captados para a execução da Empresa Júnior. Os orçamentos eram destinados exclusivamente ao pagamento de custeio, constante das despesas necessárias com material de consumo e com serviço de terceiros, com destaque para o pagamento das bolsas mensais dos estudantes participantes do projeto; recursos para locomoção, estadia e refeições, quando havia a necessidade de deslocamento. As sobras de recursos de cada projeto eram destinadas ao financiamento da participação dos estudantes em eventos regionais e nacionais, tais como o encontro regional e nacional dos estudantes de economia, congresso da ANGE e SBPC e cujas decisões eram tomadas em assembleia da Empresa Júnior.

As fases e etapas de execução, monitoramento e avaliação de cada projeto eram realizadas pelos alunos e sob a orientação e supervisão de professores. Cada projeto executado era transformado em relatório técnico, para consolidar a formação profissional e atender às exigências legais do contrato. O relatório constituía o produto formal a ser entregue à(s) entidade(s) parceira(s) e cumprir as exigências formais de cada projeto.

É importante destacar que os dados eram coletados e devidamente estudados com base nos conteúdos estudados nas disciplinas do curso, principalmente o conteúdo de Estatística e Econometria constantes da grade curricular. Esse cuidado metodológico contribuiu, de forma destacada, para o elevado nível de conteúdo teórico, metodológico e operacional dos relatórios produzidos pelos Economistas Jrs.[5]

As monografias de conclusão de curso constituíam, na sua maioria, a continuidade dos projetos de extensão desenvolvidos no Departamento de Economia da UFRN e com a participação da sua Empresa Júnior de Economia. Considerando que a base estatística era oriunda dos projetos de atuação do estudante, a monografia resgatava a base teórica e consolidava a abstração científica com as estatísticas e análises constantes dos projetos de extensão.

  1. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

 

O resgate histórico dos projetos de extensão desenvolvidos no Departamento de Economia da UFRN, no período de 1978 a 1999, constante do presente texto, destaca a eficácia e a efetividade social da economia social, considerando a sua importância no processo de reorganização das relações sociais de produção e de distribuição de bens e serviços junto a comunidades carentes de suas necessidades básicas.

A experiência do Departamento de Economia esteve voltada para a execução de projetos de extensão voltados para a organização comunitária e com foco no processo de justiça social, resgate da dignidade humana e no bem comum. As ações de economia social sempre estavam relacionadas à ocupação produtiva geradora de renda para trabalhadores desempregados e pessoas carentes de suas necessidades básicas de consumo. Cada projeto tinha por pressuposto que, em períodos de crise socioeconômica, a economia social é ressaltada como importante projeto de valorização das relações sociais de produção e de distribuição de bens e serviços, contribuindo no fortalecimento do atendimento das necessidades de consumo, da dignidade humana e da justiça social.

É necessário destacar o compromisso da UFRN e do Departamento de Economia com a problemática dos fenômenos sociais contemporâneos da população do Rio Grande do Norte, procurando valorizar o estudo da economia social do Estado, com o compromisso institucional voltado para a pesquisa de temas que afetam a dignidade humana e a justiça social e que estão continuamente relacionados às condições de vida da população, tais como a educação, formação profissional, renda, emprego, desemprego, ocupação produtiva, pobreza, exclusão social, distribuição da renda, desigualdade social, segurança pública, violência e demais questões que retratam as condições de vida da nossa população.

Tratando-se de ação não convencional da ciência econômica, é importante destacar que a economia social apresenta categorias teóricas e metodológicas emergentes, cujas observações fornecem importantes elementos para o processo de abstração que permita a formulação conceitual que assegure consistência de adequados modelos de projetos, voltados para a ação comunitária em situação de exclusão e de risco social. Nesse sentido, o presente texto descreveu alguns elementos de economia social, abstraídos da execução de projetos vivenciados nos últimos quarenta anos (1978-2018), em Natal-RN, com o propósito de disponibilizar informações que possam contribuir para a formulação de novas categorias econômicas relacionadas ao bem comum e à justiça social.

A experiência histórica da prática profissional desenvolvida no Departamento de Economia da UFRN, durante duas décadas, comprova a importância dos projetos de extensão planejados e executados a partir de 1978 e voltados para a formação profissional do economista, os quais contribuíram para a integração da UFRN com a sociedade, além de complementar o conteúdo teórico desenvolvido em sala de aula, com a prática profissional vivenciada no mercado de trabalho e com diversas ações concretas presentes nas diversas atividades locais de análise econômica .

O estudo ressalta que a Empresa Júnior de Economia (Economista Jr) foi considerada, nos anos oitenta e noventa, a organização estudantil de grande e vitoriosa atuação da prática profissional no Centro de Ciências Sociais Aplicadas, considerando vários projetos executados pelos alunos do curso de economia da UFRN com o objetivo de complementar a formação profissional do economista. Os alunos participavam de todas as fases de execução dos projetos de extensão, desde a identificação de demandas, mobilização de grupos comunitários e na efetiva participação em fóruns e demais eventos comunitários para análises e diagnósticos de necessidades sociais.

As metodologias presentes nas ações de economia social sempre motivavam a participação comunitária, com o objetivo de identificar demandas sociais. A elaboração do projeto era precedida de fóruns comunitários, com a participação de pessoas que vivenciavam as realidades e contribuíam com a identificação dos elementos necessários ao planejamento das ações voltadas para a inclusão das pessoas em atividades de produção, geração de renda e de justiça social.

É importante identificar as demandas atuais de atuação do estudante de economia, principalmente aquelas que podem ser conduzidas com parcerias institucionais com entidades públicas e privadas, organizações de classe e demais segmentos da sociedade que demandam ações de atuação do estudante de economia. Assim como foi feito no passado, é importante identificar as experiências de economia aplicada desenvolvidas em outras instituições e adequá-las à Empresa Júnior de Economia da UFRN. Deve-se destacar, principalmente, o atual Plano de Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, desenvolvido recentemente pela FIERN, que apresenta importantes cenários macroeconômicos do Rio Grande do Norte e que demandam estudos e pesquisas que permitam a elaboração de conteúdos microeconômicos e de instrumentos operativos.

Recomenda-se, por fim, o apoio institucional do Departamento de Economia, da Direção do CCSA e da Reitoria da UFRN, no sentido de priorizar a Empresa Júnior de Economia. A participação dos professores é decisiva para a retomada da prática profissional dos estudantes do curso, integrando o ensino teórico com atividades práticas de economia aplicada e que são desenvolvidas em empresas e organizações sociais públicas e privadas. Destaca-se, a priori, a imediata necessidade de integração da Empresa Júnior com o Conselho Regional de Economia e com o Sebrae, no sentido de formalizar e executar parcerias que viabilizem projetos de pesquisas socioeconômicos e de análise de conjuntura, utilizando-se o potencial de professores e alunos da UFRN.

[1] Professor aposentado do Departamento de Economia da UFRN <aluisioalberto@unirn.edu.br>

[2] Professor do Departamento de Economia da UFRN <aacorteze@yahoo.com.br>

[3] Anais do 5º Congresso da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Economia. Natal: ANGE/UFRN, 1990.

[4] Todos os projetos ficaram devidamente arquivados no Departamento de Economia da UFRN.

[5] Os relatórios de cada projeto constavam de documentos arquivados no Departamento de Economia.

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