COMO MELHORAR A GESTÃO DAS SUAS FINANÇAS PESSOAIS EM TEMPOS DE PANDEMIA?

A situação financeira de uma parcela expressiva da população brasileira nesse período de pandemia de COVID-19 não é das melhores. Com o desaquecimento da economia provocado pelas medidas de isolamento social desde março do corrente ano, várias dificuldades surgiram em virtude do desemprego, da retração da capacidade geradora de renda das atividades informais e do aumento da pobreza.

Em vista disso, tem sido comum observar nos telejornais pessoas defendendo o fim do isolamento social alegando falta de dinheiro para pagar as suas contas ou por causa dos prejuízos que estão tendo com o bloqueio do funcionamento normal dos negócios. Outras se arriscam a trabalhar em meio à pandemia por necessidade porque não têm uma poupança acumulada para custear os seus gastos essenciais de consumo básico. Mas e se elas tivessem tido certo controle nas suas finanças antes da crise, não conseguiriam atravessar essa fase difícil sem precisar colocar suas vidas em risco? É provável que sim. Entretanto, é sabido que a falta de organização das finanças das famílias é um grave problema no Brasil atingindo todos os estratos sociais.

Nós vivemos em uma sociedade capitalista na qual o dinheiro é o principal intermediário das trocas. Dessa forma, cabe cuidar bem dele para garantir o atendimento das nossas necessidades no presente e tentar assegurar certa estabilidade no futuro. Daí vem a importância de controlar os gastos para garantir uma boa situação financeira, longe de dívidas e com uma poupança monetária. A questão é que muitas vezes realizamos gastos excessivos e desnecessários que desequilibram nossas finanças, nos fazendo passar muitos “apertos” quando surgem eventuais imprevistos.

Sendo assim, diante da crise sanitária e econômica que vivenciamos, é preciso reaprender e mudar comportamentos. Um primeiro passo é pensar estrategicamente sobre nossos gastos futuros e, principalmente, prestarmos mais atenção no uso cotidiano do nosso dinheiro. Por sua vez, deve-se ter um cuidado redobrado com a aquisição de novas dívidas, pois isso pode comprometer gravemente nossas finanças e impactar negativamente no bem-estar de nossas famílias.

Igualmente, recomenda-se uma atenção especial na utilização do cartão de credito, que é um dos meios de pagamento mais empregados nesses tempos de pandemia. Cabe lembrar que o prazer das compras com o chamado “dinheiro de plástico” cobra um juro extremamente alto. E o problema está justamente aí, já que muitas pessoas realizam operações de compra de maneira imprudente, atraídas pelas ofertas da propaganda comercial, sem ao menos conhecer os detalhes do pesado fardo dos juros compostos.

Nesse contexto, o que fazer? Um caminho para manter as contas equilibradas é realizar o planejamento dos gastos e praticar o consumo consciente dentro dos limites orçamentários disponíveis. Para que isso aconteça, entretanto, exige-se organização e o desenvolvimento do hábito de acompanhar rigorosamente as despesas mensais, para procurar reduzi-las e garantir algum excedente monetário que possa ser poupado.

Em termos práticos, deve-se anotar diariamente tudo que se compra, organizando as informações em uma planilha por tipo de despesa (alimentação, boletos, lazer, transporte etc.), e, depois, fazer uma avaliação sobre gastos mensais objetivando identificar e eliminar àqueles desnecessários.

No momento em que se realiza essa análise contábil, mesmo de forma superficial, é possível perceber se o saldo obtido é superavitário, neutro ou deficitário. Evidentemente, o que se deve buscar sempre é um superávit financeiro, algo conseguido quando se gasta menos do que se ganha. Por outro lado, deve-se procurar evitar o déficit financeiro, que ocorre quando as nossas despesas são maiores do que as receitas auferidas com o recebimento de salários, aluguéis, vendas, prestação de serviços, entre outras.

Portanto, a elaboração desse tipo de orçamento bastante simples é um passo fundamental para verificar como está sua situação financeira e, a partir disso, buscar o equilíbrio a cada mês. Se estiver difícil saber por onde começar, uma boa sugestão é a leitura da segunda edição da cartilha publicada pelo CORECON-RN sobre o tema (http://www.corecon-rn.org.br/2017/08/24/cartilha-edicao-no2-julho-2017/). Nela, poderão ser encontradas mais dicas valiosas de como melhorar a gestão das suas finanças pessoais.

 

Emanoela Carneiro Nunes
(Estudante do Curso de Graduação em Economia/UERN/Campus de Assú)

Joacir Rufino de Aquino
(Economista, professor e pesquisador da UERN)

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