O risco de extinção dos jumentos e o avanço da China no Nordeste

Joacir Rufino de Aquino*

Os asininos ou jumentos (Equus asinus) são animais que fazem parte da história econômica do Brasil e, especialmente, do Nordeste. Todavia, a sua população se reduz ano a ano e a espécie corre até o risco de extinção por conta do abandono e de sua transformação em mercadoria para o grande capital asiático.

Os dados dos censos agropecuários do IBGE sobre os rebanhos de jumentos mostram que, ao nível de país, eles somavam 1.420.449 cabeças, em 1970, caindo para 376.874, em 2017. Isto representou uma variação negativa no período de -1.043.575, ou seja, -73,47% da população desses animais.

Note-se que a taxa de redução elevada manteve-se no final do século XX e nas primeiras duas décadas do século XXI, quando a população de jumentos pela primeira vez nos últimos 50 anos saiu da faixa de pouco mais de um milhão de animais para o patamar registrado no último censo agropecuário, uma queda de –65,92% entre 1995 e 2017.

Em 2017, os jumentos restantes no território nacional ainda estavam localizados majoritariamente no Nordeste, que abrigava 86,65% do total, distribuídos com graus variados nos nove estados da região. Mas eles também continuavam presentes com certa expressão em Minas Gerais e no Pará, com 4,05% e 3,11% do total, respectivamente.

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