INCERTEZAS   E   EXPECTATIVAS

ALCYR VERAS (economista e professor universitário)

Não é nenhuma novidade afirmar que o funcionamento da economia está sujeito a variações cíclicas. Desde que se estabeleceu como ciência, há quase dois séculos e meio, sua trajetória histórica está pontilhada de períodos que alternam ── ora crescimento, ora recessão. Aconteceram pontos de picos e pontos de quedas. Ou ainda, fases de apogeu e fases de declínio.

Não só o Brasil, mas a grande e esmagadora totalidade dos países do mundo, passam ou passaram por crises econômicas, registrando-se raríssimas exceções,  como são os casos de algumas nações escandinavas: Finlândia, Dinamarca, Noruega.

Na década de setenta, com a crise mundial do petróleo, uma atmosfera de incertezas começou afetar a saúde macroeconômica de diversos países em vários continentes. Forçados a saírem de suas zonas de conforto, governantes apressaram-se em lançar seus planos de recuperação econômica, muitos dos quais sem sucesso. Esse clima desfavorável, que naquela época permeava a maioria dos países do ocidente, levou o economista canadense, naturalizado norte-americano, John Kenneth Galbraith, a lançar no final dos anos setenta, o sintomático livro com o sugestivo título de : “ A Era da Incerteza”.

Com esse livro, o autor chamava atenção para a necessidade de se criar Planos de Desenvolvimento Econômico Auto-Sustentável como forma de superação, definindo metas de médio e longo prazos, e estabelecendo alternativas para a expansão das atividades de exportações e importações. Esse foi o ponto de largada da corrida que deu início à Globalização, logo no começo dos históricos anos oitenta.

Não podemos esquecer que o Brasil não foi afetado pela crise econômica mundial de 2008. Naquele ano, os Estados Unidos que até então se vangloriavam de ser a economia mais sólida do planeta, sentiram na própria pele os efeitos negativos da crise quando colocaram, em estado de pré-falência, muitas de suas grandes empresas do setor financeiro, devido a insolvência provocada pela chamada “bolha imobiliária”. O caso da economia brasileira ter se mantido incólume, deve-se à fase de estabilidade econômica que o país adquiriu no período imediatamente após o Plano Real, cujos efeitos positivos se estenderam até 2010.

A partir de 2014, percebe-se que a economia brasileira começa a viver um clima de incertezas, causado, sobretudo, por ações de governo desconectadas da realidade e sem rumo. Paralelamente a isso, instala-se no país uma elevada temperatura de instabilidade política, agravada pelo surgimento dos primeiros escândalos de corrupção, atingindo, em cheio, o miolo do poder público central.

Hoje, apesar de vivermos, no âmbito governamental, uma sensação de final de festa, o país respira melhor. Mas, a grande expectativa é realmente conhecer a política econômica que será adotada pelo próximo governo eleito em outubro. Uma coisa, porém, é certa. A nova política econômica contará com duas favoráveis bases de apoio: a inflação baixa; e a taxa de juros com tendência de se manter baixa e estável. Esse cenário sinaliza que a classe empresarial já pode começar a descongelar seus planos e projetos de investimentos.

 

 

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