Indústria salineira potiguar: o princípio do fim.

A indústria salineira do RN está perdendo a disputa comercial com o sal importado do Chile.  Fortes setores econômicos ligados a indústria nacional do cloro e da soda cáustica localizada no Sudeste brasileiro, em nome dos seus interesses econômicos, trabalham para destruir a indústria salineira potiguar. Isso acontece devido à concorrência desleal do sal chileno, que representa a verdadeira e mais grave fonte dos problemas da indústria local.

O instrumento que defendia a economia local foi revogada pela “RESOLUÇÃO N° 47, DE 12 DE JULHO DE 2018, DO COMITÊ EXECUTIVO DE GESTÃO DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR, que suspende medida antidumping aplicada e o compromisso de preço homologado, sobre as importações brasileiras de sal grosso, originárias da República do Chile”.

Registra-se que a defesa da indústria salineira local não pode ser reduzida a simples “defesa de empresários”.  Muito mais do isso, trata-se de defender a economia local, em detrimento da economia chilena e do setor cloro-químico  brasileiro.

A indústria local gera impostos e empregos em nossa região. Temos o direito e a obrigação de defendê-la, quando a mesma é confrontada com setores econômicos externos à nossa região, nos prejudicando fortemente.

Países e regiões, em geral, defendem, as economias locais.  Quando permitem sua exposição à concorrência, o fazem para promover mais eficiência e ganhos de produtividade mais amplos, mesmo que isso destrua ou provoque a transformação, de setores da economia local. Não é o caso da exposição do sal Potiguar à concorrência chilena.

A resolução nº 46, da Câmara de Comércio Exterior, afirma que a imposição da medida antidumping, teria gerado um RIDÍCULO “incremento médio de 1,92% no preço do cloro e da soda, e de 1,87% no preço do hipoclorito de sódio”.  Segundo a CAMEX. Isso teria imposto um RIDÍCULO incremento médio de 0,42% nos custos da Companhia de Abastecimento do Estado de São Paulo (Sabesp) com material de tratamento, o que teria resultado, entre 2011 a 2015, no custo adicional de R$ 4.607.765,33, isso em cinco anos. Isso é justificativa a ser citada, para fortalecer os argumentos que expõem a indústria Potiguar à chilena?

A medida de eficiência econômica, objetivo teoricamente provocado pela resolução da CAMEX para justificar a destruição da indústria salineira potiguar é, portanto, ridícula.

A situação ficará ainda mais grave devido às pesadas multas impostas pelo Conselho de Defesa Econômica (CADE), por suposta formação de cartel e as ações ambientais que pedem a redução da área de produção e também impõem pesadas multas a indústria salineira. Parece ser o princípio do fim. Pelo menos, na forma como a conhecemos.

A repercussão e efeitos práticos destes assuntos estão prejudicados porque (1) os próprios empresários estão desmobilizados e desorganizados; (2) a classe política Potiguar, em geral, não demonstra maiores preocupações com essa situação. A reduzida bancada federal parece não ter força suficiente para confrontar os políticos do Sudeste brasileiro e (3) a população Potiguar desconhece a situação, dedicando-se a discutir inutilidades ou promover absurdas disputas políticas, com forte fundo ideológico, nas redes sociais. Contudo, apesar das limitações, o debate está lançado.

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