O papel estratégico do Vale do Açu nas eleições do RN em 2022

Por: Joacir Rufino de Aquino & Raimundo Inácio da Silva Filho (Economistas e professores da UERN)

A microrregião do Vale do Açu ocupa uma área de 4.756,1 km2, o que corresponde a 9,06% do espaço geográfico norte-rio-grandense. Em termos políticos-administrativos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ela se divide entre nove municípios: Alto do Rodrigues, Assú, Carnaubais, Ipanguaçu, Itajá, Jucurutu, Pendências, Porto do Mangue e São Rafael.

Um olhar panorâmico sobre o mapa do Estado do Rio Grande do Norte (RN) sugere que o Vale do Açu merece uma posição especial no palanque das eleições de 2022. Essa afirmação se justifica ao menos por dois motivos principais.

O primeiro motivo se refere ao quantitativo de eleitores locais, que pode decidir ou fazer uma grande diferença nas eleições de outubro para o Executivo, o Legislativo estadual, federal e o Senado. Conforme as estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no mês de Maio do corrente ano, o Vale do Açu possuía 120.737 eleitores aptos a votar. Esse contingente de potenciais votantes está distribuído nos municípios da microrregião: Alto do Rodrigues (11.369), Assú (43.504), Carnaubais (8.735), Ipanguaçu (12.594), Itajá (6.597), Jucurutu (15.079), Pendências (10.741), Porto do Mangue (4.848) e São Rafael (7.270).

Já o segundo motivo está relacionado às potencialidades econômicas açuenses que são estratégicas em um projeto político de recuperação da economia do RN pós-pandemia da COVID-19.

De fato, na atual conjuntura, o nosso Estado enfrenta dificuldades em vários segmentos produtivos e é preciso gerar empregos, ampliar as exportações e melhorar a arrecadação de impostos visando garantir o funcionamento adequado da máquina pública. Nesse cenário, cada uma das 19 microrregiões que formam o espaço estadual tem um papel particular a desempenhar, mas, entre elas, sem dúvida, é a microrregião do Vale do Açu àquela que pode contribuir mais rapidamente para o crescimento da economia norte-rio-grandense.

Isto porque é praticamente consenso no meio acadêmico e entre os órgãos de fomento que o Vale do Açu se apresenta como uma das localidades do RN com maior potencial para o desenvolvimento de atividades produtivas ligadas ao setor agropecuário, tanto patronal, quanto familiar.

O território açuense se destaca ainda por ser uma das áreas do semiárido nordestino mais bem dotada de recursos naturais. É rico em água doce, solos de ótima qualidade, petróleo, gás natural, minerais, ventos e sol abundantes (recentemente explorados pela indústria energética), dentre outros elementos da biodiversidade. Ademais, situa-se próximo dos principais centros consumidores do RN e dos estados vizinhos, o que lhe garante vantagens competitivas capazes de atrair investidores e pessoas de várias partes do Brasil e do mundo.

Portanto, nos programas dos candidatos aos postos de poder do RN em 2022, o Vale do Açu deve ocupar um lugar estratégico, quer seja pela dimensão do seu eleitorado, quer seja por suas potencialidades produtivas para ajudar no fortalecimento da economia potiguar. Sendo assim, a população local deve ficar atenta e verificar se as propostas políticas apresentadas nos palanques eleitorais contemplam ou ignoram as prioridades coletivas da região. Tal atitude cidadã pode influenciar no momento decisivo de apertar o botão “confirma” na urna eletrônica no mês de outubro.

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