Economista Wagna Maquis, ganha primeiro lugar do XXXI ENE2022

Wagna Maquis, ganhadora do primeiro lugar do XXXI ENE2022 com trabalho intitulado NOTAS SOBRE O MERCADO DE TRABALHO DA POPULAÇÃO JOVEM NO NORDESTE PÓS-REFORMA TRABALHISTA (2016-2019), é uma jovem economista pesquisadora detentora de um vasto e robusto currículo acadêmico, que possui uma visão de mundo amplificada na qual expressa grandes preocupações sociais e, principalmente, com as políticas públicas que possam agregar e facilitar os jovens no mercado de trabalho.

Wagna Maquis é um exemplo cabal da mulher potiguar, sem importar sua origem social, racial ou religiosa, que possui uma força nata que a impulsiona à luta na busca constante de justiça social, se não, para si mesma, mas também para o seu próximo, no caso, o objetivo claro é o jovem.

Vamos conhecer mais um pouco desta economista pauferrense.

Quem é Wagna Maquis Cardoso de Melo Gonçalves?

Sou Bacharel em Ciências Econômicas. Me graduei em 2009 pela UERN no Campus de Pau dos Ferros. Tenho MBA em Finanças Empresariais pela FARN, Mestrado em Desenvolvimento Socioeconômico pelo Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Socioeconômico da UFMA (2012). E doutorado em Ciências Sociais pelo Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais pela UFRN (2019). Atualmente estou fazendo estágio pós doutoral no Programa de Pós Graduação em Planejamento e Dinâmicas do Território – PLANDITES da UERN.  Já fui professora substituta dos departamentos de Economia da UERN (2009 – 2011) e da UFMA (2011 – 2013). Desde 2014 estou de forma efetiva no ensino superior, sendo que entre 2014 a 2021 estive no Departamento de Ciências Econômicas e Quantitativas da UFPI, e no final do ano de 2021 fui redistribuída para a UFERSA Campus de Pau dos Ferros e cá estou de volta à minha terra, ministrei disciplinas de Macroeconomia II e III, Contabilidade Social, Economia Internacional, Estatística, Economia do Trabalho, entre outros. Já atuei no IPEA e na Secretaria Nacional de Juventude como pesquisadora, pesquisando justamente sobre as políticas públicas de juventude. Tenho alguns artigos publicados em revistas, livros e anais de eventos sobre jovem, mercado de trabalho, políticas públicas de mercado de trabalho. Também coordeno uma pesquisa em andamento na UFERSA sobre as transformações produtivas e o mercado de trabalho da população jovem no Brasil nos anos 2000 a 2020.

– O que a motivou a ser economista?

A explicação é um pouco racional e um pouco romântica. Nasci no interior de nosso estado e as oportunidades de ensino superior eram limitadas e a renda de minha família não permitia que eu estudasse em Natal ou em Mossoró, ademais eu tinha uma filha de quase dois anos de idade (fui mãe solo aos 17 anos). Então, em 2003 não havia muitas opções no Campus de Pau dos Ferros da UERN (única instituição de ensino superior na região quando prestei vestibular). Logo, ou eu escolheria o curso de pedagogia, ou letras, ou economia. Decidi pelo desconhecido: cursar economia. Quando eu iniciei o curso, me apaixonei. O aprendizado no curso me proporcionou tanto formação profissional, quanto formação crítico-social. Daí vem o meu interesse em estudar sobre o mercado de trabalho da população jovem, pois na época, eu jovem, era inconformada e não compreendia bem a dinâmica de mercado de trabalho do jovem, pois este não segue os padrões do mercado de trabalho no geral, sobretudo com relação ao desemprego e falta de oportunidades. Assim, desde minha graduação até os dias atuais, e isso já tem mais de 13 anos, eu estudo a dinâmica do mercado de trabalho jovem e tudo que envolve esse assunto, como por exemplo, a educação.

– É notório e sentida por toda população a crise econômica em que o país vive. Você acredita que neste ambiente posto, o jovem vê uma oportunidade nas Ciências Econômicas, como formação profissional?

A crise econômica atual deixou a população jovem mais vulnerável do que já estava. Nunca, pelo menos desde os anos 1990, a situação pra eles no mercado de trabalho foi confortável, mas agora está pior, como mostram os dados das minhas pesquisas. Os estudos sobre juventude assinalam que quando a economia entra em crise o jovem é o primeiro a sentir com o aumento do desemprego, queda na renda e piora nos índices educacionais. Por outro lado, quando a economia retoma o crescimento, os jovens são os últimos a se incorporarem ao mercado, e quando se incorporam fic am à margem. Assim, estas situações, em maior ou menor magnitude, implicam em dificuldades para essa população, infelizmente! Mas, mesmo neste contexto eu considero que o Campo da Economia tem espaço para o profissional jovem, pois a área, bem como o campo de atuação é muito vasto.  As novas áreas da ciência como a Data Science, Big Data e Machine Learn munem o profissional de economia das tecnologias da Inteligência Artificial para aprimorar as análises, elaborações e avaliações econômicas, sociais e financeiras, tanto no setor público quanto privado, independente de ser micro ou macroeconômico. Um profissional economista que conheça profundamente as teorias econômicas, a estatística, a matemática e possuidor de um olhar crítico dos dados, da história e do contexto em que estes dados estão inseridos, será um grande destaque ao que ele se propor a fazer nesse contexto de novas tecnologias. Sendo que é imprescindível que esse jovem profissional economista não olhe para os fenômenos econômicos puramente como algo natural e auto-determinado, pois não é. Há relações de toda a magnitude, seja pessoal, financeira, política, cultural entre outras, que contribuem ou, até mesmo determinam tais fenômenos. Acredito também que esse seja o maior desafio que os professores de economia enfrentam atualmente: desacortinar essa visão mainstream, que todo fenômeno econômico é puramente econômico.

– O que a levou a participar do XXXI ENE 2022 e a escrever NOTAS SOBRE O MERCADO DE TRABALHO DA POPULAÇÃO JOVEM NO NORDESTE PÓS-REFORMA TRABALHISTA?

Primeiramente, eu já estava com o trabalho pronto quando fiquei sabendo por meio das redes sociais (instagram do Cofecon) sobre o evento e que este seria 100% on-line. Eu me inscrevi apenas para o evento, pois não tinha tido acesso a divulgação da premiação de artigos. Quando eu fiquei sabendo da premiação foi quando ela estava tendo suas inscrições prorrogadas, ou seja, submeti nos 45min do segundo tempo. Nesse embalo eu inscrevi este trabalho que já estava pronto, (esperando o resultado da avaliação para apresentação em um evento regional (SEDRES)). Friso que o artigo é um subproduto da minha pesquisa de pós doc (em andamento), onde nela eu estudo sobre “Educação e mobilidade social da juventude brasileira nos anos 2000 a 2020”, eu estava com tantos dados armazenados sobre juventude que me veio a curiosidade de saber sobre o impacto da Nova Reforma Trabalhista e da Lei da terceirização, ambas de 2017, sobre o mercado de trabalho jovem. Então fiz uma análise descritiva, onde ficou constatado que os indicadores de mercado de trabalho da juventude pós 2017 estão piores do que o que estavam antes da reforma, que a situação dos jovens no Nordeste era a pior do Brasil e que a promessa da Reforma trabalhista que era a geração de mais emprego por parte das empresas não foi cumprida (tive o maior cuidado para não referenciar o período da Pandemia do Coronavírus e deixar a análise enviesada). Como falei no início, meu campo de pesquisa, há 13 anos, é sobre o mercado de trabalho do jovem, assim, os resultados dessa pesquisa que foi premiada me deixaram muito inconformada, pois considerando o atual modelo econômico que nosso país segue com degradação ambiental, eliminação de direitos sociais, trabalhista e previdenciário, redução de investimentos na saúde, educação, ciência e tecnologia, nos levam a concluir que essa situação só tende a piorar.

– Como se sente ter ganho o primeiro lugar do XXX ENE 2022?

Nossa! Maravilhada! É como se minha inconformação de todos esses anos de pesquisa sobre os impactos negativos do modelo econômico brasileiro sobre essa população fosse de fato ouvida e validada, é uma chance que temos, principalmente para nós economistas nordestinos, lançarmos uma voz referendada para que seja revisto e repensado a inclusão produtiva, social e econômica da população jovem a partir de um modelo que inclua o desenvolvimento tanto intergeracional (entre gerações), como intrageracional (ascensão e mobilidade social destes jovens em suas ocupações), sempre considerando as particularidades econômicas, sociais e culturais de seus territórios.

– Planos para o futuro da economista?

A curto prazo o plano é concluir meu pós-doc no final deste ano, ele está me consumindo muito trabalho, é muito gratificante a pesquisa, mas é ao mesmo tempo desoladora, pois ano após ano, a pauta de juventude precarizada e marginalizada é sempre a mesma. Também quero publicar alguns livros que estão pendentes de publicação, preciso encontrar tempo e recursos para eles. A longo prazo, pretendo continuar contribuindo com as pesquisas nacional sobre a realidade da juventude brasileira. É inadmissível que um país tão rico e tão promissor como o Brasil deixe várias gerações de jovens à margem dos frutos de seu desenvolvimento e sirvam apenas como alvo de discurso que são problemáticos, ou como uma massa de trabalhadores que estão dispostos a ser recrutados no mercado de forma marginalizada e precarizada. Essa realidade precisa mudar!

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